sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sem cortinas

Se apenas as janelas da sala são maiores do que o nosso abraço,
somos a cena pra que alguns vizinhos vejam
do sofá
da varanda
da pia da cozinha
bem mais do que um velho amor de novela,
e do que algum quadro mal-pintado possa sugerir;
uma escultura dadaísta de pernas, braços, abraços e beijos nada técnicos...


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Papel e tesoura

Sinto que fiz minha vida virar simples folha de papel;
e na tentativa de me ver livre de qualquer excesso ou mania,
tesourei um pouco mais do que devia...
É que, no manuseio esbaforido da tesoura,
fiz um grande furo no canto superior esquerdo da folha;
- Aonde foi parar o coração que batia aqui?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Pausa

Como um soldado em guerra
com as suas lutas particulares,
vou me escondendo nas trincheiras da vida,
nas pausas curtas que me fazem pensar...
- pouco importa se chegar aos pedaços;
eu só quero chegar.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sopa de letrinhas

Como que com régua na mão o dia inteiro
meço o tempo,
calorias,
dinheiro.
Notas,
estrelas,
roupas,
ladainhas.
Vontade de cortar os números, fazer do dia
sopa de letrinhas.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Espelho, espelho meu...

Sinto que as torres já se livraram de seus dragões e correntes, me vejo acordar em mais um dia quente, sem castelos, príncipes ou banquetes. Levanto da cama, penteio os cabelos, escovo os dentes. Na luz do dia, nem meus sonhos podem me fazer princesa... tiro o espelho da parede pra guardar na última gaveta da mesa.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sonhando acordada

Talvez se eu não tivesse
trocado o pijama pelas calças jeans;
se não tivesse dado ouvidos ao despertador
mas trocado o café preto
pelo copo de leite e o cobertor...
teria passado o dia todo sonhando com monstros e elefantes,
quedas, atrasos e gigantes,
- ao invés de passá-lo inteiro sonhando com você.

domingo, 10 de abril de 2011

Fim de semana

Mesmo que a calmaria do domingo não bata na porta,
e a histeria do sábado deixe as chaves lá fora,
a agonia da segunda não esquece de apertar a campainha e tocar o interfone, e entrar pela janela puxando persianas e cobertores...